Volto ao assunto de ontem, o anúncio de que "nunca se chumbou tão pouco em Portugal", ideia bastante pândega, cheia de afeto e beijinhos - e, como já vimos, falsa. Os jornais de ontem deram uma grande ajuda à operação de "sucesso escolar" em curso (que Deus a proteja), noticiando que havia alunos a passar de ano com quatro ou cinco negativas.
Tamanha generosidade merece aplauso. Já sabíamos que o ministro da Educação achava - sufocando de razão - que os chumbos são "ineficazes, caros, punitivos e segregadores". Ou seja, totalmente antidemocráticos e inimigos das estatísticas e dos ‘focus group’.
Daí que, aproveitando um despacho onde se lê que "a decisão de transição para o ano de escolaridade seguinte reveste caráter pedagógico, sendo a retenção considerada excecional", houve instruções para que muitos professores subissem as notas negativas e impedissem o flagelo "excecional" das retenções, porque somos todos amigos dos adolescentes dos 8º, 10º e 11º anos.
Ou seja, que se fizesse trapaça, uma coisa que agora é também despenalizada, porque fica mais agradável nas estatísticas.
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