Ninguém se recorda hoje de Jean-Pierre Melville, não só por ser francês, mas também porque a sua obra nunca foi verdadeiramente popular, tirando talvez ‘Cai a Noite Sobre a Cidade’ (de 1969), tradução livre de ‘Un Flic’ (‘Um Chui’), com Alan Delon e Catherine Deneuve.
É uma história de maus e bons que amam a mesma mulher (o ‘mau’ é Richard Crenna, que mais tarde entrou em ‘Rambo’ e ‘Noites Escaldantes’, de Lawrence Kasdan).
O mundo dos ‘maus’ aparece frequentemente em Melville, como em ‘Ofício de Matar’ (‘Samurai’, 1970), também com Delon, que é o primeiro rosto de ‘O Círculo Vermelho’, com Gian Maria Volonté e Yves Montand.
Melville (o apelido verdadeiro é Grumbach, mas quis homenagear o autor de ‘Moby Dick’) é uma das estrelas do ‘film noir’, o policial francês. A sua dimensão literária é permanente (em 1949 realiza ‘Le Silence de la mer’, adaptando o romance de Vercors); melancólico, nostálgico, depressivo, captou a solidão de heróis perdidos e funestos. Passam hoje 100 anos sobre o seu nascimento e, tal como a própria melancolia, é um nome fora de moda.
Kenzaburo Oe
Merece ser lida a tradução de Hélder Moura Pereira do livro do Nobel japonês (1994). ‘Morte pela Água’ leva-nos à II Guerra e a uma demanda por um pai desaparecido no meio de uma tragédia familiar.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.
As superpotências estão mais frágeis e os conflitos mais imprevisíveis.
Todos estão insatisfeitos, preocupados, escandalizados ou em torpor profundo.
Na literatura, por exemplo, é muito raro encontrar novos autores que não estejam marcados pelo ferrete da vitimização e da queixinha.
Retratista único, Goya é um dos génios de Espanha e da Europa.
Trump, afinal, pode ser contrariado. O seu poder tem limites.