Este vai ser o ano de muitos cinquentenários.
O do princípio do fim da guerra do Vietname (a 31 de janeiro, a embaixada americana em Saigão é invadida). O do assassinato de Martin Luther King, em Memphis, e o de Robert Kennedy, em Los Angeles. O da eleição de Richard Nixon. O do lançamento de 'Sympathy for the Devil', dos Rolling Stones.
O do 'Maio de 68' em França, a eterna revolução por fazer, o vulcão de todas as rebeldias posteriores. E o da invasão de Praga pelos tanques soviéticos, sete meses depois da chegada ao poder de Alexander Dubcek (que se assinala amanhã, 5 de janeiro).
Entre o espírito comemorativo e a nostalgia pelas datas perdidas, há ainda mais - mas isto basta para prepararmos um ano de debates, com ganhos e perdas. Apesar de tudo, o 'Maio de 68' vai despertar mais curiosidade e mais balanços; ainda hoje, a data fala para várias gerações, a dos que lá estiveram, mesmo não estando, e a dos que a elegem como marco das suas vidas pretéritas.
Já a invasão de Praga vai permitir verificar que o PCP continua a estar ao lado dos tanques invasores.
LIVROS DO ANO (12)
'Portugal em Sade/Sade em Portugal', de Aníbal Fernandes e Pedro Piedade Marques (Montag) conta a história da escandalosa publicação, por Fernando Ribeiro de Mello, de 'A Filosofia na Alcova' entre nós, em 1966.
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