Por causa daquele baile de 1978 – dez anos depois de a canção ter sido gravada pela primeira vez –, no ginásio do liceu, em que obrigámos o ‘disc jockey’ a repeti-la três vezes, ainda que muitos de nós não gostassem da banda. Por causa da quantidade de vezes em que rolámos as cassetes Mawell e BASF com uma esferográfica até conseguirmos alinhar o som pelos primeiros acordes de ‘A Whiter Shade of Pale’, e as reproduzimos num aparelho a pilhas no pátio das traseiras de casa. Por causa da voz de Gary Brooker ao cantá-la e por causa das inúmeras vezes em que não conseguimos dobrar aquele verso na exata sílaba em que descobríamos que já tínhamos sido ultrapassados. Por causa de todas as namoradas da época, que suportaram as tentativas de rapazes desajeitados e desafinados para cantar ‘A Whiter Shade of Pale’, quando o que queríamos mesmo era tocar a primeira frase da guitarra de ‘Smoke in the Water’. Por causa de Gary Brooker (1945-2022), que morreu no sábado passado e há de ser sempre a voz dos Procol Harum, que nunca há de ser uma banda pirosa, pelo menos na nossa memória. É a memória.
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