Há cinco anos, David Friend, que foi editor da revista ‘Vanity Fair’ (e portanto sabe do que fala), publicou um livro intitulado ‘The Naughty Nineties’, sobre "o triunfo da libido americana". Eram os anos em que a vida conjugal de um magnata espalhafatoso chamado Donald Trump vinha nas primeiras páginas, em que o caso Clinton-Lewinsky estava horas seguidas na televisão, em que o sexo estava em todos os lugares num país historicamente puritano, mas degradado e pornógrafo. Ontem, a manchete do CM era sobre assédio sexual na faculdade de Direito de Lisboa, uma das nossas fábricas e fornecedora do poder. Isto não se estranha num país que fala de sexo e exibe a sexualidade privada e vida pública nas TV, e em que as relações de poder são muitas vezes estabelecidas através de troca de favores sexuais. Os desejos sexuais, os vícios, as ameaças e os preconceitos são agora públicos. Não se trata apenas das "relações de poder", mas de uma nova psique nacional: pessoas mimadas (geralmente palonços tristes e deslumbrados) que julgam tudo lhes ser devido e que todos os desejos são para satisfazer.
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Retratista único, Goya é um dos génios de Espanha e da Europa.
Trump, afinal, pode ser contrariado. O seu poder tem limites.
A democracia não se defende só com o apelo a tradições e liturgias de há 40 anos.
Basta olhar outros episódios do Médio Oriente para reconhecer a sua repetição.
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