Compreendo (e invejo) os que vão a Santiago de Compostela a pé, peregrinando, refazendo a história da Península e da Europa. Nunca experimentei esse desejo, mas tenho uma secreta e absurda admiração pela fé que junta milhares em Fátima. Não tanto pela multidão, que se compreende, ou pela história das aparições, que não me interessa muito, mas sobretudo pelo silêncio na grande noite da peregrinação que hoje se inaugura. Nunca experimentei essa comoção senão à distância, mas ouvi relatos comovidos, que respeito. Vista do exterior, Fátima é um fenómeno tripartido e complexo que junta religião, política e história do século XX. Não se percebe, por isso, que durante tanto tempo a igreja católica tivesse abandonado Fátima àquela fealdade de betão e cimento que agora tenta reparar e humanizar aos poucos. Para muitas pessoas, Fátima é a sua ilha, a sua cidade, o seu muro. Para muitos é a sua vaidade, a sua fúria; mas para outros é também o seu sofrimento, a sua escuridão e a sua luz mais intensa. Eles fazem de Fátima um lugar conforto, mesmo se não o entendemos. E não precisamos de o entender.
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