Foi finalmente traduzido em Portugal um dos mais importantes livros sobre a crise das democracias. Não, ‘A Rebelião das Elites e a Traição da Democracia’ (Relógio d’Água) não é sobre ‘a atualidade’: melhor do que isso, é sobre as raízes do descontentamento atual. Christopher Lasch terminou-o em 1994, pouco tempo antes de morrer. É atualíssimo: está lá desenhado o retrato que a boa consciência ‘progressista’ se recusa a aceitar: que os debates, as preocupações, o cosmopolitismo e as ‘causas’ de bazar, muito modernas, levaram as elites a um isolamento crescente e a não saberem como funciona o mundo em que são privilegiadas. Desconhecem as dificuldades e os interesses da comunidade. São turistas no seu próprio país, ignoram os interesses e a realidade dos outros, vivem num mundo centrado na autoestima e no narcisismo herdado dos anos 60 - e acham que as massas anónimas dos trabalhadores e da pequena burguesia são por definição reacionárias, xenófobas, maçadoras e atrasadas. 30 anos depois, é um dos livros do ano.
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A grande moda, segundo percebi, é usar a IA para escrever longas cartas de reclamação.
A ideia é que, quem está lá dentro (a viver a “experiência imersiva”) é como se estivesse numa bolha.
Rodrigo tem a voz de um ironista profético que nos alerta 40 anos antes.
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