Portanto, lá vai o Eça para o Panteão, coitado dele, pobre dele, sempre em bolandas. Não tenho nada contra; será a grande estrela do Panteão, na Igreja de Santa Engrácia. Também não teria nada a opor se permanecesse naquela paz definitiva de Tormes, o que é assunto de família - mas uma honraria é uma honraria e trata-se de um dos nossos grandes. Sempre que dizemos o nome de Eça devia tocar uma sineta do cérebro e completar-se a frase: “Eça, de quem todos somos filhos.” Mesmo se não se leu Eça, o que é criminoso e triste, ainda assim seremos filhos de Eça, como de Camões, Sá de Miranda, Cesário, Camilo, Pessoa, Nemésio. Não somos nada sem esta Língua e essa genealogia. Eça de Queirós desenhou uma parte do que somos até hoje e a sua grande arte, que é o mais importante, está colada à nossa pele como uma segunda identidade. Se ele vai para o Panteão, pois é lá que o iremos visitar - por curiosidade e cerimónia, com o respeito que se deve a um mestre que nada consegue diminuir. Agora só falta mesmo é continuar a lê-lo.
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