O relatório Draghi tem sido comentado ou chamado à liça por Manuel S. Fonseca - como eu o percebo. Ontem, no ‘Observador’, a ponderada Helena Garrido escrevia uma coluna intitulada ‘Precisamos que a Europa acorde’ que termina com uma frase fatal: “Temos de nos preparar para o pior.” E o que tem isto a ver com a literatura, por exemplo? Tudo e nada. Nada, porque a literatura não tem de assentar arraiais sobre a realidade imediata; o romance é um campo aberto para o escritor e para os leitores, e não um tratado de cidadania. Tudo, porque se percebe pela maioria dos romances lidos hoje, sobretudo em Portugal, que eles são impermeáveis ao seu tempo e que grande parte dos autores são uma espécie de arauto de uma utopia europeia impronunciável e dedicada aos males de espírito. Nos campos minados do comunismo e do fascismo, houve sempre tentativas de impor os temas dos “romances necessários”. Mas o silêncio da literatura é incómodo e fúnebre.
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