Dei por mim a regressar a 1946, quando George F. Kennan escreveu o seu “longo telegrama” sobre a URSS, um dos documentos centrais para a política americana da Guerra Fria. Kennan não era apenas diplomata (conheceu Portugal) - era historiador, sabia russo e estava em Moscovo. O que diz Kennan (e depois aprofundou num artigo de 1947)? Que a URSS não deixava de ser a Rússia, que a Rússia sempre foi hostil ao mundo exterior e que o autoritarismo violento era a sua natureza; além do mais, “é indiferente à lógica da razão e sensível à lógica da força”, não tem um rumo e está em constante expansão. Do outro lado, nos EUA, estavam pessoas racionais, havia uma doutrina e até certo conhecimento da natureza humana. Quase cem anos depois, vivemos o ressurgimento do desprezo americano pela Europa (vem antes da independência e só interrompeu com a II Guerra), que se tornou irrelevante para os seus interesses. Será que repetiremos o vaticínio do romeno Emil Cioran? “A Europa terá um futuro de vítima, de sacrificada.”
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