Ouve-se em todo o país e, com desplante, nas televisões: imigrantes são necessários porque não há portugueses dispostos a fazer o seu trabalho; não há gente da hotelaria, da construção, da limpeza ou da agricultura intensiva que não garanta o seu obstinado e pegadiço amor pelos imigrantes. O mundo ideal, para muitas destas almas, contaria com imigrantes que não causassem problemas: invisíveis, de preferência – e pagos no limite, como “mão de obra” manejável a fazer trabalho também invisível. Parte da “boa consciência portuguesa” reagiu assim em 1975, preferindo que os retornados de África se confinassem aos seus guetos. Andam hoje pela província agrícola ou nos subúrbios, em magotes albergados em contentores e sujeitos a duas máfias: a dos que os trouxeram e a dos que os escondem. Falta a terceira máfia: a de quem fomentou a sua entrada ilegal durante a “geringonça”, satisfazendo empregadores sem escrúpulos ou pequenos racistas de pacotilha e, de caminho, deixando imbecis a murmurar que não querem ser o Bangladesh.
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