A indústria da indignação é um beco sem saída. Muitos repórteres enviados para os cenários desolados de Leiria, Pombal, Ourém, Alcácer, mas também para os locais ameaçados pelas cheias (de Oeiras a Reguengo do Alviela ou Faro e Serpa) não exageram nas suas observações dos desastres e do sofrimento; simplesmente, não têm memória (a juventude é, na maior parte das vezes, um defeito que passa com o tempo), desconhecem a história das calamidades, pertencem às gerações que se imaginam a viver no paraíso, para quem a Natureza é sempre benigna, bem desenhada e melíflua, onde os rios nunca têm cheias (nem nos campos de arroz) e a ondulação do mar é feita para o surf. Quando as vagas de incêndios assolaram o centro do país, alguns deles e delas desconheciam onde era Pedrógão e não sabiam a diferença entre uma alface e um eucalipto. Claro: daqui a três meses ninguém fará reportagens sobre arribas em perigo, cotas de rios, edifícios em zonas de inundação. O que nos move é a tragédia. Ou a indignação, um beco sem saída
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