Sou um insensível. Acho que Montenegro esteve mal na sua primeira conferência de imprensa, e mudo na sua primeira ida a Leiria – tem certa falta de jeito para mostrar empatia. É o contrário de Marcelo, a quem falta ponderação mas sobram gestos grandiosos e frases desnecessárias. Às vezes queremos uns e dispensamos outros. Por mim, dispensaria os comentadores omni-especialistas que há 15 dias eram doutores em presidenciais e na semana passada exigiam rede elétrica subterrânea, sabiam tudo sobre barragens e criticavam a redação dos SMS da Proteção Civil. Dia e meio depois da tempestade Kristin, Marcelo pedia um inquérito; foi secundado por uma turba de comentadores que ainda não tinham visto as imagens dos trabalhadores anónimos presos na lama ou pendurados nos pontos da rede elétrica ou da fibra ótica, mas querem ver políticos audazes a mostrarem-se em mangas de camisa (eu dispenso-os). Para quê? Porque os polímatas da tragédia gostam da tragédia; no limite, a tempestade não existiu. O país raramente existe.
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