Um dos manifestos exageros de 2025 foi o espaço escancarado para a “saúde mental”. A certa altura, fazendo uma revisão, percebi que a “saúde mental” dos jornais e das revistas, ou das rádios, era uma espécie de sacola onde cabia tudo acerca do stress, da infelicidade no local de trabalho, da incerteza sobre o mundo, das dores de amor ou de ficar adulto, do luto ou da solidão, dos conflitos e da insatisfação com que somos naturalmente abençoados, ou da tristeza pura e simples. Depois da medicalização da melancolia na idade clássica e no mundo pós-freudiano, segue-se a medicalização de todos os aspectos da vida pessoal e da vida em sociedade. Ou seja: há quem pense que é possível uma vida sem stress, sem conflitos, sem dor, sem melancolia, sem luto e sem a necessária superação – ao mesmo tempo que há quem acredite que existem conselheiros e flibusteiros que ensinam grandes coisas sobre a matéria. Muitas vezes, um problema é apenas um problema. A saúde mental, essa, é uma coisa imensamente e infelizmente mais séria.
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