Os auscultadores ou, como se diz hoje, fones, não me preocupam. São uma espécie de salvação pessoal e, quando faço uma caminhada sozinho, levo uns auscultadores dos antigos para ouvir a música que quero e esquecer que estou a fazer uma caminhada. Mas há pessoas que, desde que saem de casa até regressarem, estão sempre de auscultadores. De fones. É um dos gestos mais comuns atualmente, quando se fala com alguém: tirar os fones - para ouvir os outros. De certo modo, o uso de fones é um hábito civilizado: nas praias, nos transportes, na rua, nos jardins, não estamos a produzir som para os outros nem a incomodá-los com a nossa música. Oxalá fosse assim em sentido contrário e fôssemos poupados ao ruído dos outros. Mas, para lá desse gesto civilizado, temo muito pela saúde auditiva dos hipsters e metaleiros que passam por mim. Pode ser que estejam a ouvir um livro, um concerto de Bach, um telefonema da avó, uma canção dos Yo La Tengo. São uma grande invenção, os fones. Em breve, os bebés virão já com fones instalados.
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