A política orçamental austeritária seguida pelo PS com o apoio da restante esquerda em 2016 e prometida no Plano de Estabilidade e Crescimento para 2017-2021 mostra que a célebre TINA (‘Theres Is No Alternative’, em português NHA: ‘Não Há Alternativa’) está viva e bem viva. Definitivamente, tornou-se irrelevante que seja a direita ou a esquerda a governar: o PSD e o CDS já estavam a moderar a austeridade em 2015 e a verdade é que, por muito que se apresentem como os cavaleiros andantes das ‘reformas estruturais’, esses partidos fizeram uma triste figura a este respeito enquanto estiveram no Governo. Depois de anos de luta anti-austeritária, a esquerda constatou agora que, dentro do euro, NHA. O euro tornou certas opções ideológicas irrelevantes.
O primeiro país onde isso se tornou evidente foi em França, onde ontem começaram umas eleições presidenciais que mostram a desintegração do sistema político tradicional, em particular da esquerda moderada (como já aconteceu na Grécia, em Itália, em Espanha ou na Holanda). Já ninguém se lembra, mas em 2012 François Hollande era a esperança da Europa contra o monstro austeritário ‘Merkozy’. Passados uns meses, já estava a apresentar reformas de teor ‘neoliberal’ e o resto é história: sempre a cair até hoje.
Para os eleitores, as verdadeiras alternativas só aparecem fora do quadro tradicional. Fala-se muito da imigração e do terrorismo para explicar a popularidade de Le Pen, o que, sendo verdadeiro, esquece o contributo dado pela sensação de falta de liberdade política introduzida pelo euro.
A destruição dos sistemas políticos a que vamos assistindo não se deve ao crescimento do racismo e da intolerância nacionalista pela Europa fora, mas a esta sensação de irrelevância do voto. Chegou agora a vez de Portugal conhecer o NHA: também a esquerda portuguesa não tem nada de novo para oferecer.
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