Esqueçam os outros escândalos: o maior de todos é a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD). A Comissão Europeia lá aprovou o plano: são cerca de 4 mil milhões de euros de meios públicos, a que ainda se vão juntar cerca de mil milhões de obrigações. Cinco mil milhões no total. Isto num banco que ainda em 2012 tinha precisado de se recapitalizar em 1650 milhões e em 2009 em cerca de 1000 milhões. Ou seja, uma soma final de cerca de 8 mil milhões. Mas que raio de passador é este?
Segundo as contas apresentadas pela administração da CGD, o prejuízo record verificado em 2016 deve-se sobretudo a 3 mil milhões daquilo a que em banquês se chama ‘imparidades’ e que em português se chama empréstimos irrecuperáveis: a CGD acha que nunca lhes vai voltar a ver a cor. Isto é, estamos a falar de lindas decisões feitas com todos os critérios menos os da boa gestão, que nos seria devida enquanto acionistas. E que seria devida também aos mais de 2000 trabalhadores que vão ser despedidos.
Estes despedimentos não comovem os sempre indignados meninos da maioria parlamentar. Assim como não os comove o pivete que exala das ‘imparidades’. Eles nunca quiseram uma Comissão Parlamentar funcional e nunca quiseram investigar através de meios mais sérios. Apesar de estarmos a falar de um parceiro do BES e do Estado na PT na altura em que, aparentemente, o primeiro-–ministro Sócrates terá sido corrompido para favorecer o BES (2007). Apesar de estarmos a falar do banco que financiou a tomada de assalto de outro banco pelas mesmas pessoas que foram para a PT. Apesar de estarmos a falar do banco em que um administrador foi parceiro dos mais estranhos negócios envolvendo tanto Sócrates como Ricardo Salgado.
Nada disto interessa. Pois não, estamos só a falar do princípio e do fim de tudo o que aconteceu em Portugal nos últimos anos.
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