Passos Coelho venceu as legislativas e perdeu o poder. Acontece. Churchill, que era Churchill, venceu a guerra e perdeu as eleições de 1945. Todas as carreiras políticas terminam em fracasso? Talvez. Mas a história é outra história. Sobretudo quando somos nós a escrevê-la (como dizia o velho Winston).
Agora que Passos deixa a liderança do PSD (e bem), era bom ter um testemunho para memória futura. Não que isso seja determinante para reconhecer o óbvio: a obstinação do senhor à frente de um governo de emergência – ironicamente, a mesma obstinação que o cegou depois de 2015 – reserva-lhe um lugar distinto na nossa curta experiência democrática. E Churchill, convém lembrar, regressou, triunfal, em 1951.
Critiquei Passos nos anos da ‘troika’. Sempre achei, contra a piolheira opinativa reinante, que o alvo do colunista devem ser os governos, não as oposições. Mas tiro o meu chapéu na hora do adeus.
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Fernando Mamede é o oposto deste tempo ruidoso em que todos os medíocres têm uma confiança ilimitada nos seus nulos préstimos.
Até chegarmos ao primeiro-ministro, capa e collants, a esvoaçar sobre um país em emergência permanente.
Aproveitar o embalo para crescer eleitoralmente e tentar ultrapassar os quase 2 milhões de votos que Montenegro obteve nas últimas legislativas.
O bully pode parecer imparável - até ao dia em que alguém o pára.
Não levo a sério estes defensores intermitentes da liberdade de expressão.
O apoio do centro-direita à sua vitória não está em causa.