Luís Tomé
Professor Catedrático de Relações InternacionaisO “plano” negociado secretamente entre os enviados de Trump e de Putin (nas costas dos ucranianos e dos Aliados europeus) significa a capitulação da Ucrânia e dá à Rússia o que esta não conseguiu pela agressão militar desde 2014: a retirada ucraniana dos 14,5% de território que controla em Luhansk e Donestk e o reconhecimento internacional destas duas regiões do Donbass e da Crimeia como russas; a redução do efetivo militar ucraniano para um limite máximo (sem limites para as forças russas); impede a Ucrânia de poder aderir à NATO e de tropas da NATO poderem estacionar na Ucrânia; “reintegração” da Rússia na economia global pelo fim de todas as sanções, convite para regressar ao G8 e “acordo de cooperação económica” EUA-Rússia; amnistia para todos os crimes de guerra; e eleições na Ucrânia no prazo de 100 dias (para afastar Zelensky, claro). Em conluio com Putin, Trump quer impor a primeira rendição de uma democracia, ainda por cima a agredida, perante uma autocracia, a agressora. Será apenas a primeira, se o “plano” vingar. É hora de a Europa, com firmeza e dignidade, dizer não a Trump e ajudar a Ucrânia a preservar a sua soberania.
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