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Bruno Pereira

Presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia

Pináculos da revolução

17 de fevereiro de 2026 às 09:17

É impressionante a constância com que tudólogos e proclamadores reeditam a necessidade de uma revolução policial, opinando e espraiando arquétipo e soluções de vanguarda [dizem eles] que, convenhamos, advêm de um empirismo algo tresloucado, próprio de quem observa de fora e acredita conseguir ver por dentro.

Num ponto eles têm razão: há necessidade de uma revolução, uma mudança que acabe de uma vez com este monolitismo aparelhístico e a esta atomicidade empedernida que, como já se comprovou, não funciona adequadamente e gera distorções organizativas, funcionais e humanas entre os seus profissionais. É imperioso abandonar um sistema assente em monopólios e coutadas, onde o foco se centra mais na forma como se projetam as instituições, que propriamente na qualidade do seu trabalho, instalando-se uma concorrência selvática entre quem tem mais, quem manda mais, ou quem aparece mais.

Neste domínio, só uma coisa deveria importar: servir melhor. Para tal, é indispensável romper com um modelo em que os espaços de atuação se sobrepõem, as redundâncias se multiplicam e cada entidade mantém os seus próprios espaços, equipamentos e orçamentos. No final do dia — e para isso não é preciso ser grande vaticinador — “numa mesa onde há pouco pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Acrescentaria apenas: todos querem a maior fatia.

Um estudo relativamente recente (2018), realizado por uma jovem aspirante a Oficial de Polícia, concluiu através de um estudo profundo e apurado que a fusão dos 5 maiores corpos de Polícias em Portugal permitiria uma poupança anual [direta] de mais de uns impressionantes 1000 milhões de euros em custos de contexto – humanos, edifícios, equipamento e tecnologia -, para não falar da desnecessidade de abolir a tão sacrossanta necessidade de cooperação interinstitucional, tantas vezes invocada precisamente para colmatar falhas estruturais.

Chega de palpites. É tempo de passar à ação. Quantos milhões mais serão necessários desperdiçar antes de aceitarmos que o problema não é de cooperação, mas de estrutura?

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