Em 1986, a espanhola Maruja Torres publicou um romance em torno de Julio Iglesias (aqui teve o título ‘Coração, Coração’). Era o tempo em que os intelectuais desprezavam o intérprete de ‘Soy un truhán, soy un señor’, que julgavam indigno dos seus pecados. O tempo apaga tudo e o que resta é a voz de Iglesias. Eu, por exemplo, gosto dessa canção. Ignacio Peyró é uma figura notável: autor de dois livros de grande prosa espanhola (‘Ya Sentarás Cabeza’ e ‘Comimos y Bebimos’), foi diretor do Instituto Cervantes em Londres e em Roma e escreveu um ‘dicionário sentimental da cultura inglesa’ – antes de publicar ‘O Espanhol que Encantou o Mundo’ (Zigurate), a biografia de Iglesias. É tão bem escrita (e traduzida, por Carlos Vaz Marques) que a lemos com arrebatamento – não apenas pelo artista, as suas manias e notas de génio, mas porque Iglesias se transforma num ícone pop que sintetiza o nosso tempo e as suas fragilidades, os nossos tiques e a sua própria falsificação. Peyró observa Iglesias como um objeto real. Magnífica leitura.
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