Dois anos após a ‘Operação Influencer’, o tempo parece ter parado. O material apreendido continua encaixotado, emails por abrir e uma Procuradoria-Geral da República emaranhada em justificações que não convencem. Três dos nove arguidos ainda aguardam para ser ouvidos, enquanto os processos se perdem entre recursos inexistentes e promessas esquecidas. Amadeu Guerra anunciava uma nova era, mas o DCIAP mantém o velho vício da lentidão. A justiça portuguesa, enredada na sua própria burocracia, arrasta-se até à prescrição. José Sócrates conhece bem essa dança: acusado, mas nunca realmente condenado por um sistema que transforma ‘megas’ em coisa nenhuma. No fim, a conclusão é amarga e previsível - mesmo que condenado, Sócrates jamais verá o interior de uma cela. Justiça adiada, justiça falhada.
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O Estado hesita, e nessa hesitação perde-se algo essencial: a ideia de que a lei não é decorativa. Porque a Justiça que tarda não é apenas injusta - é perigosa.
Mariana provou que a justiça não é para todos.
Quem é chamado a gerir o que é de todos deve aceitar sem reservas o escrutínio.
Enquanto o debate público insistir na culpa da vítima e não na responsabilidade coletiva, continuaremos a falhar - às mulheres, às crianças e à própria ideia de justiça.
Quando estão em causa políticos, a prioridade deveria ser sempre a clareza, a confiança e a responsabilização.
Quando uma decisão de inconstitucionalidade acontece, o debate devia a ser outro.
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