Os jornais espanhóis falam do caos na saúde do País vizinho. Dizem que nunca se fizeram tantos partos em ambulâncias, como se nascer em movimento fosse o novo normal. E ainda antes de se saber que uma mulher em trabalho de parto foi mandada para casa - a mais de 100 quilómetros -, já o País se habituava à precariedade. Não sabemos se também ela seria uma das ‘imigrantes do mal’, acusadas de fazer turismo de saúde pela ministra de ocasião. Mas não morreu, nem ela nem o bebé. Ficou, como quem insiste em existir, e acabou por dar à luz na unidade de saúde horas depois. Que País é este, que desprotege grávidas e põe vidas em risco? Onde nascer se torna uma prova de resistência e o Estado, ausente, finge não ver? Onde a maternidade se mede em quilómetros e coragem e não em cuidado? Pede-se o mínimo: que viver não seja uma viagem sem destino.
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O Estado hesita, e nessa hesitação perde-se algo essencial: a ideia de que a lei não é decorativa. Porque a Justiça que tarda não é apenas injusta - é perigosa.
Mariana provou que a justiça não é para todos.
Quem é chamado a gerir o que é de todos deve aceitar sem reservas o escrutínio.
Enquanto o debate público insistir na culpa da vítima e não na responsabilidade coletiva, continuaremos a falhar - às mulheres, às crianças e à própria ideia de justiça.
Quando estão em causa políticos, a prioridade deveria ser sempre a clareza, a confiança e a responsabilização.
Quando uma decisão de inconstitucionalidade acontece, o debate devia a ser outro.
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