A poucos dias das presidenciais, algumas questões são decisivas para a configuração do sistema político nos próximos anos. À esquerda, acentua-se o dilema entre recomposição e decomposição. Sem uma agenda agregadora, a extrema-esquerda caminha para a irrelevância, incapaz de conter o voto útil. Mesmo o PS, que demorou a apoiar a candidatura mais forte do centro-esquerda, ainda tem bolsas de bloqueio, com enorme influência política, que tardam em admitir o óbvio: não apoiar Seguro encurta o espaço político e eleitoral do próprio partido para futuras soluções de Governo. À direita, Mendes chega à campanha entalado entre Ventura, Cotrim e Melo, sendo esta última a candidatura que mais esvaziou até aqui. Os debates evidenciaram a debilidade de Melo, mas Mendes também não ganhou grande coisa. Com as eleições à vista, dificilmente Mendes poderá deixar de se assumir como um candidato do Governo, procurando mobilizar as franjas de eleitorado social-democrata que, aparentemente, lhe fogem. O próprio Montenegro será um perdedor, caso Mendes não vá à segunda volta, e talvez isso explique a sua entrada na campanha logo aos primeiros alvores. Uma coisa é certa, a estabilidade do sistema tal como o conhecemos depende muito do que conseguirem Seguro e Mendes. O resto será território desconhecido. Palavra ao povo.
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