Houve um tempo em que a minha sobrinha Maria Luísa garantia que Dona Elaine, a discreta governanta deste eremitério de Moledo, não passava de uma reaccionária profissional que actuava a coberto de uma máscara afável e simpática. Havia dois erros na suspeita: primeiro, Dona Elaine era uma reaccionária amadora e despreocupada; depois, não era afável nem, à primeira vista, simpática. Isto tinha vantagens, porque as suas funções não incluíam a obrigação de fazer amizades mas o dever de comandar e administrar esta casa, tendo quase sempre a última palavra sobre o que ocorre para cá do portão de entrada. O resto – as suas semanas de férias, as devoções particulares, os seus aposentos, as novelas na televisão, as inimizades – era com ela.
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No século da inteligência artificial sou um sobrevivente do tempo em que ainda duvidávamos da inteligência humana
O Tio Alberto gostava de café “con unas gotitas” e tomava-o nessas peregrinações plebeias pela Galiza.
Achava que os rios eram interessantes consoante a temporada da lampreia ou da truta
Por sermos leais ao passado, não há escolha quando se trata de boa educação.
Era bom para peregrinos de Castro Laboreiro ou frades eremitas de Rendufe.
Não gostava de nêsperas e tinha um certo desprezo por legumes no prato, tratando-os como um apenso decorativo.
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