Espero que tenham descansado da indignação sobre Dijsselbloem e que as hormonas tenham voltado a estabilizar.
Uma indignação regular – digamos, duas por semana, com acompanhamento no Facebook – garante um certo equilíbrio neuronal e, em certos casos, sexual. De anteontem (o dia em que a indignação atingiu o rubro, com instituições e figuras gradas a pedir que o holandês fosse esquartejado) para ontem houve uma neblina de ressaca – a que se segue às mais eloquentes bebedeiras – e já há muitas opiniões (à esquerda; para não ir mais longe, Vital Moreira e Jaime Gama por exemplo) a dizer que Dijsselbloem é um bom presidente do Eurogrupo, e que parte das indignações foi estapafúrdia.
Se em Espanha a reação foi cautelosa (até porque têm um candidato ao lugar do holandês), e em Itália houve sobretudo risota (o que se compreende no país de Beppe Grillo e Totó), em Portugal chamaram a Dijsselbloem ‘camisa castanha’ nazi-fascista, machista ou fizeram moralismo (e do mais reacionário, pomposo e merdoso) sobre a nossa melancolia e gosto pela vida. Continuamos para bingo.
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Citação do dia:
"Nesse particular de bebedeiras, deve-se manter uma aparência nórdica", J. Rentes de Carvalho, ontem, no CM
Sugestão do dia: Cerco a Salamina
Leia agora a edição de bolso (na Miniatura, Livros do Brasil) de ‘Soldados de Salamina’, de Javier Cercas. Se há obra-prima sobre a história recente de Espanha, este está na primeira linha.
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Que pena as nossas escolas serem surdas – a Mozart e ao transcendente que ele nos dá a respirar, como uma tentação de eternidade, sentido de humor e talento puro. Nem é preciso explicar.
Com Trump, o optimismo é ingénuo. O bully parece imparável - até que o que o param.
"Ventura não quer ser Presidente, mas alimentar uma dinâmica que o leve a São BentoVentura não quer ser Presidente, mas alimentar uma dinâmica que o leve a São Bento".
Estão todos com saudades de uma ‘frente popular’, coitados.
A segunda volta das presidenciais não é um confronto entre esquerda (qual?) e direita (qual?), mas entre duas formas de falar. Já não é pouco.
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