Anteontem fomos apanhados sem prevenção pela ordem das coisas e pela morte de Luis Fernando Verissimo (1936-2025). Ambas as coisas estão ligadas. Verissimo, que completaria 89 anos no final do mês, não foi um dos maiores autores da nossa língua porque nos fazia rir com os seus textos, mas porque eles estavam cheios de pessoas, casos, surpresas, ternuras diabólicas, tipos cómicos ou a quem ele arrancava a solenidade. Estavam cheios dos outros: nós todos. Ele era uma coisa, guardada para dentro; os seus livros (crónicas, pequenos romances, colunas de jornal) eram outra, prestavam atenção aos outros e nunca poderiam ser sobre si mesmo. Inventou personagens magníficas (Ed Mort, o analista de Bagé, Dorinha) e ria da ordem das coisas. Para isso, serviu-se de uma língua nova, gaúcha, mistura de tiques, desejos, distrações e atrevimentos. Discreto, cultíssimo e silencioso como os tipos de imenso talento, Luis Fernando foi um dos grandes cronistas do Brasil. Estava doente há uns tempos. É a ordem das coisas, a malvada.
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E, à cautela, proibiu a tarja, com toda a razão.
Tempestades: mais tarde ou mais cedo voltaremos a situações semelhantes.
No futebol mantém-se a lógica de quema acha que pode, quer e manda.
A ideia de que o povo está farto de eleições é um chavão das elites de Lisboa.
O PS é um partido anquilosado. E Carneiro é melhor meter-se ao caminho por si só.
Camilo viajou por todo o mundo nas suas páginas, redesenhou Portugal consoante a imaginação de um romancista impenitente e com um mapa na cabeça, cheio de episódios, evocações e personagens.
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