Segunda-feira de manhã, Carregado. Uma mulher entra em trabalho de parto. Está com 40 semanas e 5 dias, mas em Portugal parir é, aparentemente, uma questão de sorte. A mãe liga para o SNS24. Resposta: “Vá de carro, que isto não é Uber de ambulâncias.” A grávida, entre contrações, deve ter pensado: “Claro, já que estou com tempo, vou dar uma voltinha até ao hospital e já percebo como corre quando for a sério”. Quando a coisa aperta, tentam o 112. Mas a linha, coitada, estava provavelmente em sesta ou com falhas impossíveis de prever. Resultado? O parto faz-se no passeio, em plena via pública. Avós promovidos a parteiros, transeuntes a aplaudir. O Estado? Esse chegou depois, como sempre, com uma ambulância e um relatório: afinal foi erro humano! É isto. Um país onde se nasce no passeio e se morre na fila. Mas mãe e filha estão bem e no fundo, não é isso que conta? O resto é Portugal.
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Em Portugal diz-se que é o fado, mas esta degradação do Serviço Nacional de Saúde não é destino, não é azar, nem fatalidade: é política pública.
Agora, se tudo não passar de uma farsa, a sensação de impunidade será ainda mais destruidora.
E, no fim, todos dirão que as sondagens falharam - menos as que acertaram.
Falhou o homem. Falhou o tempo. Falhou a vida. Será que não falhou nada mesmo?
A justiça transforma-se num espetáculo de paciência infinita.
Não é só uma decisão judicial; é uma mensagem social.
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