A lei n.º 52/2019 regula o regime de exercício de funções por titulares de cargos políticos e altos cargos públicos, as suas obrigações declarativas e o respetivo regime sancionatório. É um instrumentos essencial para reforçar a credibilidade das instituições centrais da nossa democracia. É com o seu devido manejamento jurídico, assegurado pela Entidade para a Transparência (EpT), que se devem afastar os daninhos espaços de opacidade, penumbra e sobreposição de interesses particulares sobre o interesse público. A lei da proteção de dados, porém, como se esperava, veio blindar as declarações e quase extinguir a possibilidade de fazer um escrutínio jornalístico básico. Quase tudo se tornou secreto: os investimentos em ações, o património imobiliário, as moradas das casas e, agora, numa tentativa ‘contra legem’, as próprias matrizes dos prédios, essenciais para reconstituir a aquisição, violando claramente a lei. Mesmo com um regime que protege a classe política, não são poucas as vozes que batem na velha tecla de que tantas exigências e escrutínio afastam os alegados melhores portugueses da política. Os tais melhores que, frequentemente, só valem alguma coisa no setor privado quando têm os contactos e a influência da política para vender. Este é o mercado que vive da duplicidade moral e de uma contabilidade oculta e que prospera. Não o que cria emprego bom, salários decentes e prosperidade. Assim vamos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Ventura e Cotrim estão a atrair eleitorado jovem como nenhum partido.
América de Trump asfixia instituições, divide norte-americanos e mata direito internacional.
Donald Trump não vai desistir de conquistar a maior ilha do Mundo.
A deteção precoce da violência policial é um imperativo democrático.
Debates televisivos moldaram a campanha nos traços essenciais.
Cotrim estampou-se no auge de uma relação íntima com o espelho.