Nenhum dos seus poemas desapareceu da nossa memória, nenhum dos seus livros (nem mesmo daqueles mais raros e disputados) desapareceu das nossas estantes.
A morte não podia interrompê-lo nem fazer-nos esquecer a sua voz, os seus versos: "Cantar? Longamente cantar. Uma mulher com quem beber e morrer." Quantas vezes repetiremos essa "imagem vertiginosa e alta de um certo pensamento/de alegria e impudor"? Por isso, a poesia portuguesa não ficará mais pobre. Herberto Helder tinha há muito entrado no labirinto dos que não confiavam na eternidade – ele será a luz de cinza que paira sobre a poesia portuguesa do nosso tempo. Um poeta poderoso – a voz mais forte –, no sentido em que não houve no nosso século XX obra tão influente sobre os seus contemporâneos e sobre os vindouros.
Sentimo-nos hoje como no poema (escrito em 1970) de Ruy Belo: "Era depois da morte de Herberto Helder." A sua poesia dizia tudo o que não sabíamos nem podíamos dizer. Só ele podia.
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Nos delírios das ‘ciências woke’, os factos são um empecilho a ultrapassar para dar voz aos delírios. Pobre Shakespeare, seja ele quem tenha sido na sua grandeza.
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