Bruno Pereira
Presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de PolíciaAndamos, há semanas, a falar do caos, do embaraço, da vergonha, do terceiro-mundismo que se instalou nos aeroportos, e não percebemos que a explicação está mesmo à nossa frente, mesmo que alguns interlocutores, públicos e privados, teimem, cegamente, em ver na farda azul Polícia o mal dos seus pecados, ainda que não se coibam, como ainda esta semana, de anunciar com pompa o recorde de 10 milhões de passageiros no aeroporto de Faro, contribuindo para um novo recorde nacional que irá ultrapassar os 70 milhões de 2024. Sem dúvida um marco, mas a que custo? Penso que conseguiremos perceber o silogismo impossível: em 5 anos o número de passageiros extracomunitários, sujeitos a controlo, aumentou 5 vezes (quase 12 milhões); o número de boxes de controlo manteve-se exatamente o mesmo que já vinha do SEF, com 32 postos de trabalho; existem períodos do dia em que desembarcam mais de 2000 passageiros não Schengen em cada hora; os famosos egates, que fazem parte da nova estratégia europeia de fronteiras, demoram, num primeiro registo, uma média de 3 minutos por pessoa; o controlo manual, cumprindo as normas, que em média, na primeira linha, demora 2 minutos, permite assim, idealmente, com todos os postos de controlo a funcionar, processar cerca de 1000 passageiros; se juntarmos os quase 300 que são processados pelos egates, chegaremos aos 1300; por cada hora que passa acumularão, em média, 700 passageiros, o que ao fim de 5 horas chegará aos 3500. Este é o cenário ideal, com egates sempre funcionais, e Polícias omnipresentes e em modo robot para preencher todas as boxes. Bem que podemos pedir um milagre, mas creio que nem por ser Natal ele chegará.
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